Startup VG Resíduos transforma prejuízo em receita

11 de maio de 2017

O número de startups cresce a cada dia no Brasil e muitas delas vêm se destacando por serem pioneiras em seus segmentos. Esse é o caso da VG Resíduos, que conquistou o terceiro lugar no 100 Open Startups 2017, ranking dos negócios mais atraentes e aptos a receber investimentos.

​A empresa é responsável pela plataforma Mercado de Resíduos, ferramenta que faz a intermediação para a compra e venda de resíduos de seus clientes.

A startup faz parte do Grupo Verde Ghaia composto pelas organizações: Verde Ghaia Consultoria, Verde Ghaia Franchising, Verde Ghaia Consultoria Online e pelo Instituto OKSIGENO.

Em 2016, o faturamento da VG Resíduos foi de R$120 mil e este ano o objetivo é fechar com R$600 mil.

Em entrevista exclusiva ao Infonegócios, o sócio Guilherme Arruda, explica como a startup se destaca no segmento ambiental.

Como funciona o software Mercado de Resíduos?

O Mercado de Resíduos é um sistema totalmente on-line que possibilita a gestão completa dos resíduos de qualquer tipo de organização – da geração até a destinação final.

O sistema apresenta metodologia baseada na Política Nacional de Resíduos e demais legislações pertinentes ao assunto. E ainda traz funcionalidades específicas para o controle das áreas geradoras, dos processos, dos prestadores de serviços e dos documentos.

Também oferece um espaço onde é possível comprar e vender resíduos de seu interesse, bem como ter acesso a uma lista de fornecedores qualificados na região.

Como surgiu a ideia de criar uma startup focada nos resíduos?

A VG Resíduos é uma ideia antiga do Deivison Pedroza, fundador do Grupo Verde Ghaia, localizada em Belo Horizonte. A empresa era responsável pelo gerenciamento de resíduos de alguns clientes e tudo isso era feito de forma bem artesanal.

Até que ficou claro o quanto era difícil fazer gestão de resíduos, reunir e enviar todas as informações aos órgãos ambientais utilizando planilhas no Excel. E, ainda tentar controlar prestadores de serviços que se comportavam como verdadeiros sucateiros.

Assim nasceu o VG Resíduos, que em 1999 ainda se chamava SCARI (Sistema de Caracterização e acompanhamento de Resíduos Industriais), para ajudar as grandes empresas na gestão de resíduos e na comunicação com os órgãos ambientais.

Como você entrou nesse negócio?

Em 2016, o Deivison fez uma proposta pra mim e para o Guilherme Gusman - sócio também do negócio - de retomarmos esse projeto de uma forma mais conectada e com a pegada do mercado de resíduos.

Não deu outra, topamos. Desde então, reestruturamos totalmente o sistema e demos bastante foco a gestão e fornecedores e no mercado de resíduos. Por tudo isso, saímos de 32 para 208 clientes em menos de 12 meses.

Mercado de Resíduos e VG Resíduos

Sócios da VG Resíduos: Guilherme Arruda, Deivison Pedroza, Guilherme Gusman.

Por que vocês resolveram apostar no mercado de resíduos?

Apesar do desejo de ganhar dinheiro com resíduos não ser novo, essa é uma grande dificuldade das organizações. Elas não conseguem definir os melhores locais para destinação final dos produtos nem gerenciar os custos de disposição final e potencial comercialização.

A ideia é simples e encantadora para qualquer gestor: transformar em receita os prejuízos que as empresas têm com resíduos. Na prática, muitos resíduos são descartados em aterros, mas teriam ainda potencial como matéria-prima em outros negócios.

Além disso, acredito que existe muito espaço para melhorarmos a gestão de resíduos e consequentemente a preservação do meio ambiente. Esse é um tema que tem ganhado cada vez mais espaço e a tendência é que as regulamentações fiquem cada vez mais restritivas, tornando as empresas responsáveis ambientalmente.

A VG Resíduos ficou em 3º lugar no ranking dos startups mais promissoras do país, você acredita que esse resultado se deve a que?

Acho que se deve principalmente a crescente preocupação das pessoas e empresas com o meio ambiente. A gestão eficiente de resíduos é uma das soluções que podem impactar significativamente na preservação e sustentabilidade de qualquer negócio, principalmente neste tempo em que vivemos de ciclos cada vez mais curtos e mais velozes.

A crise também acaba ajudando o segmento. As organizações começaram a olhar para seu retrovisor e descobrir que gerir melhor seus resíduos significa também otimizar seus custos, melhorar seus processos internos e saber escolher seus parceiros de negócios.

Qual é o diferencial da sua empresa em relação à concorrência?

Hoje conheço algumas soluções de gestão de resíduos e outras de mercado de resíduos, mas só a nossa une as duas ideias. Por exemplo, ao registrar um resíduo gerado, ele pode ser ofertado no mercado de resíduos. Da mesma forma, ofertas realizadas já dão baixa na gestão de resíduos da empresa, inclusive com geração de certificação de destinação final, manifesto de transporte, dentre outros.

Outro ponto extremamente relevante é o fato que a Verde Ghaia, mantenedora deste projeto e com mais de 2 mil clientes potenciais, atua exclusivamente em questões ambientais. Portanto, ela nos dá a garantia de estarmos seguindo de forma coerente com a legislação vigente e com metodologias que realmente se aplicam aos nossos clientes.

Qual é o benefício da plataforma Mercado de Resíduos para os clientes?

O nosso produto possui diversos benefícios, entre eles o controle de logística reversa e contabilidade ambiental, cumprimento da legislação, redução de multas e penalidades por órgãos ambientais.

Além disso, melhora a gestão interna, reduz custo com disposição final e aumenta a receita com a venda de recicláveis.

Não esqueço de uma conversa com um ex-sócio americano ano passado. Ele gostou bastante do nosso modelo e da nossa empresa com exceção a um pequeno detalhe: “Você está no Brasil, esse é seu maior desafio”.
Guilherme Arruda
Sócio VG Resíduos

Quais são os principais desafios de trabalhar com o mercado de soluções ecologicamente corretas?

Em um cenário de crise e redução de custos, essas soluções tendem a perder um pouco de prioridade. Mas, com a conscientização e regulamentação, o segmentou melhorou bastante nos últimos anos.

Atualmente, existem inúmeras startups no Brasil, por que você acredita que a sua se destaca "no meio da multidão"?

Acredito que estamos inseridos na “bola da vez” do mercado da sustentabilidade. O nosso slogan é: bom pra quem vende, bom pra quem compra e bom pra quem investe”.

Além disso, já temos uma quantidade significativa de clientes utilizando e gerando receita de forma exponencial e recorrente. E apoiados pela maior empresa deste segmento no mercado, com mais de 2300 clientes para nos apresentar.

Quais são os principais desafios de ser um empreendedor no Brasil?

O desafio do empreendedorismo no Brasil é imenso. Não temos uma cultura de empreender. Existe uma dificuldade grande para captação de investimentos, temos uma legislação trabalhista pesada e grande tributação mesmo para empresas que não possuem lucro no início da sua operação.

Não esqueço de uma conversa com um ex-sócio americano ano passado. Ele gostou bastante do nosso modelo e da nossa empresa com exceção a um pequeno detalhe: “Você está no Brasil, esse é seu maior desafio”.

Qual é o conselho que você daria para quem deseja abrir um novo negócio?


É preciso acreditar e conhecer o novo negócio, se preparar financeiramente e psicologicamente para o negócio engrenar em uma velocidade menor do que a esperada, mas principalmente, ser resiliente.

Você já pensou em desistir?

Algumas vezes. Nem sempre as coisas acontecem como planejamos ou imaginamos. Ter um próprio negócio traz um autoconhecimento grande, evidencia as nossas qualidades, mas também escancara nossos defeitos.

E cá pra nós, lidar com isso é um trabalho duro. Coloquei um quadro na minha casa com a palavra “resiliência”, pois acredito ser umas das características mais importantes para um empreendedor.

Você acredita que a população brasileira ainda precisa estar mais atenta às questões ambientais?


Com certeza, o cidadão comum ainda não incorporou as questões ambientais em sua rotina. Por exemplo, não é hábito do brasileiro, durante suas compras, observar os rótulos dos produtos que adquire, se possui certificação, se possui selo verde, etc.

A primeira questão ainda é o preço. E é aí que aqueles que seguem mais firmes no propósito da legalidade sofrem por competirem de igual para igual com empresas clandestinas ou aquelas que não se importam com o meio ambiente.

A remediação de passivos ambientais pode significar na maioria das vezes o fechamento de uma indústria ou negócio e taxar o empresário como criminoso ambiental.

Quais são os próximos projetos da empresa?

O próximo passo é expandir internacionalmente. Já temos alguns pilotos na Colômbia e vamos focar primeiramente na América Latina (Argentina, Chile e Paraguai).

O ranking completo da 100 Open Startups 2017 você confere aqui. 


 

 

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